sábado, maio 22, 2010

Movimento Riot Grrrls

Este movimento abriu as portas para um grupo de mulheres, garotas em busca do respeito como mulher e artista, dando liberdade para mostrar seu talento e gritar sua liberdade. O Riot Grrrl nasceu na década de 90 nos Estados Unidos, onde aconteceu um encontro de garotas que tinha como base a denúncia da falta de validação das experiências femininas da sociedade e do sexismo presente no movimento punk. O Riot Grrrl foi um movimento político e cultural radical na resistência de papéis tradicionais de feminilidade, centrado no encorajamento de garotas e mulheres para subverter a dominação masculina do underground por criar sua própria cena, música, arte e escrita. Foi através do punk que se resgatou o caráter político do rock, fazendo desse estilo um modelo de intervenção social, nas letras, na música, no comportamento ou na forma de fanzines. Essa vertente adota um estilo comum que não se reduz a um modismo local. O estilo punk foi destituído de seu valor simbólico de contestação ao sistema. Essa característica, mas necessariamente perda de uma identidade está relacionada à pós modernidade. No caso do movimento punk, quando se fragmenta surge novas vertentes como o hardcore e o punk feminista “Riot Grrrls”, este termo surge da junção das palavras “girl” (garota) e “growl” (desenvolver-se). Influenciadas pelo “Do It Yourselve” (Faça Você Mesmo) e pelo feminismo radical lesbiano, as riot grrrls divulgaram um tipo de feminismo pouco conhecido, presentes em letras de músicas, fanzines e na expressão corporal, onde recusam a heterossexualidade compulsória. Algumas bandas são associadas ao movimento Riot Grrrl como Bikini Kill, L7, The Breeders, Gossip, entre outras. No Brasil algumas bandas que fazem parte do movimento são Cosmogonia, Dominatrix, Lollitas, The Jezebels, entre outras. Já aqui na Paraíba, as bandas Bárbara e NosKill são exemplos de Riot Grrrls. Estas bandas são associadas ao movimento Riot, por expressarem idéias feministas e anti-racistas, denunciando através das letras das músicas, distúrbio alimentar, estupro, sexismo, construção social estigmatizada da mulher, entre outros vários assuntos relacionados à imagem feminina. Junto as Riot Grrrls, a “Girl Zines”, utiliza os fanzines para discutir assuntos como violência doméstica, sexual, bulimia, estabelecendo redes de contato com outras garotas compartilhando suas experiências particulares. A música se tornou uma das formas mais expressivas das Riot Grrrls em contradição ao sexismo presente no cenário punk e em outros movimentos culturais. Outra forma é a estética corporal que assumem, o modo como se reconhecem e se definem se opondo aos demais grupos, está ligado ao processo de construção de uma identidade social ou coletiva. Mas, este processo de construção da identidade não é permanente, pois existe outro processo de constante desconstrução, devido ao desenfreado consumo da imagem pela mídia. No caso das Riot Grrrls serem consideradas feministas, existe uma diferenciação dos demais movimentos sociais, pois mesmo que se pareça com outros grupos como o punk se diferencia pelas suas particularidades. Uma das formas predominantes de identificação esta presente na aparência dessas garotas, o estilo como se veste, bermuda, jeans, camiseta, jaqueta, tênis ou coturno, ausência ou não de maquiagem, cabelos curtos ou médios, faz parte da expressão corporal das Riot Grrrls que para elas a feminilidade esta relacionada ou não à futilidade, adotando um estilo bissexual ou unissex, um estilo andrógeno definido através das roupas, buscando uma re-definição da feminilidade. Inserir vestimentas masculinas, esta relacionado à independência feminina, a capacidade de ultrapassar fronteiras, este estilo alternativo pode ser interpretado como uma resistência não-verbal consciente ou não aos padrões pré-estabelecidos na cena rock. A estética corporal pode ser uma ferramenta de construção de identidades, no caso das tribos, tatuagens e piercings fazem parte de uma identidade que hoje não faz parte de um modismo, mas de um amadurecimento cultural da sociedade. As Riot Grrrls são um exemplo de força e atitude, tocando Punk/Rock em instrumentos considerados machistas, elas expressam suas opiniões incentivando outras mulheres a expressar seus ideais e vontades, passando através da música o conhecimento dos direitos da mulher.

Nenhum comentário:

Postar um comentário